O preparo visa a desintegração e ruptura celular para liberar a sacarose. O desfibramento intensivo eleva a densidade de carga e a capacidade operacional da moenda. A métrica qualitativa essencial é o Índice de Preparo (IP), com metas acima de 90 para garantir máxima extração industrial.
1. Objetivos Estratégicos do Preparo
O preparo não é apenas "cortar a cana", mas sim uma operação unitária de desintegração para:
- Ruptura Celular: O objetivo primordial é abrir o máximo de células do parênquima para liberar o caldo.
- Aumento de Densidade: Transformar a cana em um material tipo "feltro" ou "pó-de-serra", o que aumenta a densidade de carga e melhora a tração nos rolos da moenda.
- Capacidade de Moagem: Cana bem preparada permite que a moenda "puxe" melhor a camada de fibra, aumentando a tonelagem processada por hora.
2. Guia Passo a Passo: Medição do Índice de Preparo (IP)
A medição correta é vital, pois amostragens não representativas (geralmente omitindo pedaços grandes) mascaram perdas reais.
- Amostragem: Coletar uma amostra representativa (idealmente via amostrador de comporta na largura total da esteira).
- Lavagem (Extração por Giro): Girar 500g de cana preparada em 3.000g de água por 30 minutos.
- Análise de Brix/Pol: Medir o Brix (ou Pol) do extrato obtido.
- Desintegração Total: Processar uma subamostra em um desintegrador de laboratório para ruptura total de todas as células.
- Cálculo: O IP é a razão entre o Brix da lavagem e o Brix do desintegrador.
- Métrica Alvo: Fábricas modernas operam com IP > 90.
3. Impacto Técnico na Extração e Moenda
- Redução de Perdas: Pedaços de cana maiores no bagasse contêm até 3 vezes mais açúcar do que os pedaços menores e bem desfibraos.
- Ganho de Extração: Um aumento de 1 unidade no IP pode resultar em um ganho de aproximadamente 0,05% na extração global.
- Capacidade: A instalação de desfibradores pesados pode elevar a capacidade de moagem em até 18%, dependendo das condições do primeiro terno.
Para garantir a produtividade diária e evitar paradas indesejadas, o engenheiro industrial deve implementar:
Rotina Preventiva Diária:
- Monitoramento de Vibração: Verificação constante para detectar desbalanceamento ou martelos quebrados.
- Inspeção de Desgaste: Verificar o estado das bordas dos martelos e facas. Bordas arredondadas reduzem drasticamente o IP.
- Limpeza de Eletroímãs: Remover sucatas metálicas que escapam para evitar danos severos aos rolos da moenda.
Cuidados com Equipamentos Críticos (Desfibradores):
- Balanceamento: Martelos devem ser pesados individualmente e igualados antes da instalação.
- Lubrificação de Rolamentos: Essencial devido às altas velocidades periféricas (até 100 m/s) e cargas pesadas.
- Ajuste da Placa Desfibradora: Manter a abertura correta (geralmente 10-35 mm) para evitar embuchamentos e garantir a finura do preparo.
5. Segurança Operacional e Causas de Perdas
Normas Fundamentais de Segurança:
- Intertravamento: Motores devem possuir sistemas que impeçam a partida da alimentação se o desfibrador ou picador não estiverem em rotação nominal.
- Proteção contra Fragmentos: Uso de "chapas batedoras" abaixo da correia para evitar que facas que se soltem perfurem a esteira.
Causas de Perdas no Processo:
- Amostragem Deficiente: Basear decisões em amostras que não representam a heterogeneidade da cana na esteira.
- Desgaste Abrasivo: Terra e pedras trazidas com a cana aceleram o desgaste dos elementos de corte, exigindo revestimentos de metal duro (carbeto de tungstênio).
- Picos de Carga: Alimentação irregular causa surtos de potência, aumentando o consumo de energia e o risco de falhas mecânicas.
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Método de Medição |
Parâmetro Analisado |
Sensibilidade |
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IP (ICUMSA) |
Brix extraível / total |
Alta (Padrão ouro) |
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PCA (POC) |
Pol nas células abertas |
Similar ao IP, mas geralmente 2-5 unidades menor |
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Densidade Aparente |
Compressão do material |
Útil para avaliar a finura/feltramento da cana |
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DRI (Taxa de Difusão) |
Condutividade elétrica |
Mede a facilidade de lixiviação do açúcar |
Dica de Produtividade: A transição de picadores simples para desfibradores pesados é o investimento de maior retorno técnico, pois permite reduzir o número de facas e focar a potência onde ela é mais eficiente: na ruptura celular profunda.

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